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Númenos com Presas

17 – Fusão

Fusão

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[[]] A estória começa assim: A Terra é capturada por uma singularidade do tecnocapital, conforme a racionalização renascentista e a navegação oceânica se fixam na decolagem da mercantilização. Acelerar logisticamente a interatividade tecno-econômica esmigalha a ordem social em uma fuga auto-sofisticante das máquinas. Conforme os mercados aprendem a fabricar inteligência, a política se moderniza, atualiza a paranoia e tenta obter controle.

A contagem de corpos escala por entre uma série de guerras-globais. O Commercium Planetário Emergente debulha o Sacro-Império Romano, o Sistema Continental Napoleônico, o Segundo e o Terceiro Reich e a Internacional Soviética, intensificando a desordem mundial através de fases de compressão. A desregulamentação e o estado fazem uma corrida armamentista um contra o outro, adentrando o ciberespaço.

No momento em que a engenharia suave do tempo rasteja para fora da caixa dela e para dentro da sua, a segurança humana está colubrejando para uma crise. Clonagem, transferência lateral de genodados, replicação transversal e ciberótica inundam, em meio a uma escorrência ao sexo bacteriano.

A Neo-China chega do futuro.

Drogas hipersintéticas integram-se ao vudu digital.

Retro-doença.

Nanoespasmo.

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16 – Carne (ou Como Matar Édipo no Ciberespaço)

Carne (ou Como Matar Édipo no Ciberespaço)

Naquele Outono, tudo que a Missão falava era de controle: controle de armas, controle de informação, controle de recursos, controle psico-político, controle populacional, controle da inflação quase sobrenatural, controle do terreno através da Estratégia da Periferia. Mas quando a conversa havia passado, a única coisa que sobrou de pé e parecia verdadeira era o seu sentimento do quão fora de controle as coisas realmente estavam.
MICHAEL HERR[1]

O Heart of Darkness de Conrad se torna Apocalypse Now. Nos primeiros dias do conflito no Vietnã, agentes da cia estabeleceram suas Ops em postos remotos, requisitaram exércitos privados, intimidaram os supersticiosos nativos e alcançaram o status de Deuses brancos. Assim, o contexto do colonialismo do século XIX foi brevemente duplicado. Escrever é sobre isso: viagem no tempo.
WILLIAM BURROUGHS[2]

“Minha carne não vai fazer isso, e eu não consigo fazer funcionar deste lado…”
“Que lado?”
“Online. De dentro do sistema. Eu não estou mais na carne, eu te disse, eu saí da minha caixa.”
PAT CADIGAN[3]

O Anti-Édipo é um indutor antecipadamente montado da repetição da geohistória na hipermídia, um fast feed-forward sistêmico-social através do delírio maquínico. Enquanto rastreia Artaud através do plano, descobre um corpo abstrato cósmico catatônico que tanto repele suas partes (desterritorializando-as [uma das outras]) quanto as atrai (reterritorializando-as [sobre si]), em um processo que reconecta as partes através do deterritório como redes rizomáticas que conduzem à esquizogênese.

O sentido atinge o zero absoluto.

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15 – Anarquitetura do Ciberespaço como Guerra na Selva

Anarquitetura do Ciberespaço como Guerra na Selva

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Continua a guerra. Não faz nenhum sentido.

K codifica a cibernética.

Microculturas-K do lado negro usam a aniquilação do futuro como um espaço de estimulação diretamente conectável, o zero-K deslizando online durante o inverno nuclear virtual, tudo congelado no lugar, exceto ao longo das linhas de falha da franja esfarrapada da nova selva[1] do Pacífico, fervilhadas em guerra contínua.

A transfinitude analógica secciona o continuum intensivo ao longo do plano liso do grau-0: monotons equatoriais do canal-1 condensados a partir de reprises obliteradas em estado de foguete. O zero-K funciona como um módulo sintético de problematização ou produto excedente, adicionando toda uma espaço-potência periférica que não é nada além do que ela faz. Operatividade é tudo. O que é percebido como metáfora e ficção é camuflagem, virotécnica, diferença descendente em escala.

A civilização discretizada do disjuntor de extermínio nuclear passa por entre sonhos-Jesus de gigamorte em números métricos de base analítica: separando entre a semiótica da definição do dígito e a semântica da construção numérica, desconectando a digitalizabilidade da computabilidade, nomeação da numeração. O Império insiste que a matemática continua sendo uma linguagem. Estrias paramétricas totalizam o espaço sob a lei.

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14 – Nenhum Futuro

Nenhum Futuro

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[[ ]] Nenhum Futuro [[1.343.] [[0]]

A lei do pai: ‘não toque sua mãe’.

A lei da mãe: ‘não brinque nas tumbas’.

K codifica cibernética.

Bataille incinera a alma, e é impossível suportar. Ou você morre, ou vai para algum outro lugar. Ou ambos.

Clicar no ícone da guerra-K o leva direto para o inferno. De quatro, chapado, murmurando implorante: ‘deixe-me ser seu animal de laboratório’. Você está perdendo o controle.

Colapse no agora. Tempo-zero.

Você foi despejado em uma colcha de retalhos heterogênea de experimentos criminosos que convergem em formações sociais decapitadas. Este é lugar onde o materialismo baixo intercepta o cyberpunk, FODA-SE O AMANHÃ rabiscado nas paredes.

Cinco velas engrossam o espaço noturno.

A dimensionalidade se deforma.

A modernidade inventou o futuro, mas isso tudo está acabado. Na versão atual, ‘história progressiva’ camufla táticas filogenéticas de pulsão de morte, onda-Kali: acelerando logisticamente a condensação da extinção virtual de espécies. Bem-vindo ao laboratório de matricídio. Você quer tanto que é um grito lento em sua cabeça, deletando-se em êxtase.

Carne queimada pendendo de eletrodos. Um suicídio falhado se fragmenta em impulsos ocultos…

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13 – Hipervírus

Hipervírus

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O que quer que a ultramodernidade coloque sob o domínio dos signos a pós-modernidade subverte com vírus. Conforme a cultura migra para dentro de máquinas-parciais (que carecem de um sistema reprodutivo autônomo), a semiótica desaparece em virotécnica.
0010101011011100101101010101001100100010001010101110100001010110010100101000110010011100100010000000001001111110001001001010101010000100001010100111111001001000100011010010001010010101111000101001000010001110100 Sim Não Sim Não Sim Sim Não mais o que significa? mas como se espalha?

Sem qualquer substância própria ou sentido para além de sua re re re replicação, sim não não nenhum uso do vírus jamais é metafórico. A palavra ‘vírus’ é mais re re vírus.
A cultura pós-moderna re re tagarela vírus vírus vírus vírus vírus vírus vírus vírus vírus vírus 0110001001001011010010010110010010010010010 ‘vírus’ (virodúctil, virogênico, imunossupressor e e ou, meta-, ou ou e ou hiper-) vírus.

10110010010011101100001001001. o hipervírus come o fim da história.

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12 – Ciberrevolução

Ciberrevolução

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ANÁLISE DE NOTÍCIAS [18.30 23:03:07, EDITADA]

Marcia Klein cintila uma dentição perfeita às vid-unidades e começa a falar, combinando gravidade com um sorriso deslumbrante. Imagens ciberatacam rapidamente a tela atrás de sua cabeça falante: vírus, explosões, helicópteros quebrados e nanochips.

– Somente nesta semana, assistimos ao assassinato de um líder clérigo iraniano, um ataque a bomba ao quartel general da polícia antinarcóticos chinesa e, de maneira talvez mais séria, estão chegando relatos de que todo o sistema norte-americano de controle de tráfego aéreo foi fechado, devido a terrorismo computacional, por quase três horas ontem à tarde. As motivações precisas destes crimes, assim como de muitos que os precederam, ainda são obscuras, mas o que os conecta é uma sombria rede global de subversivos interligados pelo nome de uma ideologia nova e assustadora: insurgência-K.”

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11 – CiberGótico

CiberGótico

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Deus não existe, ele se retira, dá a porra do fora e deixa os tiras para ficar de olho nas coisas.

ARTAUD[1]

Quando as unidades de reparo tivessem terminado, o paciente seria descongelado, sangue novo seria bombeado para dentro de suas veias, e, finalmente, o sujeito se levantaria e caminharia, exatamente como se fosse um Jesus dos dias atuais. Seria, bastante literalmente, uma ressurreição da carne – que todos os milagres teriam sido realizados pela ciência.

REGIS[2]

[U]m, de acordo com o qual o sujeito aparente nunca deixa de viver e viajar como Se [On] – “não se para e não se acaba de morrer”; e o outro, de acordo com o qual este mesmo sujeito, fixado como Eu, realmente morre – isto é, deixa de morrer, uma vez que acaba morrendo, na realidade de um último instante que o fixa como Eu, desfazendo totalmente a intensidade, reconduzindo-o ao zero que o envolve.

DELEUZE E GUATTARI[3]

Dentro do departamento de pesquisa da biblioteca, a boceta constructo inseria um subprograma dentro de… parte da rede de vídeo. O subprograma alterava certos comandos custodiais centrais, de modo que ela conseguiu recuperar o código.
O código dizia: LIVRE-SE DO SIGNIFICADO. SUA MENTE É UM PESADELO QUE TEM LHE COMIDO: AGORA COMA SUA MENTE.
O código me levaria ao constructo humano que me levaria a, ou me permitiria, minha droga.

ACKER[4]

“Você me fez perder o jogo” disse ela. “Olha ali, cuzão. Uma masmorra de nível sete e os malditos vampiros me pegaram.” Estendeu-lhe um cigarro. ” Você parece bem tenso. Onde é que esteve?”

GIBSON[5]

O futuro quer roubar sua alma e vaporiza-la em nanotécnica.

Um/zero, luz/sombra, Neuromancer/Wintermute.

O cibergótico vampiricamente contamina e despoja de ativos a Crítica Marxiana da economia política, misturando-a com as seguintes teses:

1) A mais-valia antropomórfica não é analiticamente extricável dos maquinários transumanos.
2) Mercados, desejo e ficção científica são todos partes da infraestrutura.
3) A Extinção-Capital Virtual é imanente à produção.

O curto prazo já está hackeado pelo longo prazo.

O médio prazo está razado na esquizofrenia.

O longo prazo está cancelado.

O cibergótico bate crítica hiperaquecida na ‘coisa de visão’ ultramoderna, retinas telecomercializadas alimentadas via laser à multimídia caem da futuridade implodida, videoempacotando cérebros com experimentos psico-assassinos repetitivos em alteração não-consensual do wetware: IAs dementes, replicantes, exterminadores, cibervírus, gosma cinza de nano-horrores… extenuação do mercado de apocalipses. Por que esperar pela execução? O amanhã já foi cremado no Inferno: ‘K, a função K, designa a linha de fuga ou desterritorialização que arrebata todas as montagens, mas também sofre todos os tipos de reterritorializações e redundâncias'[6].

A história humana só chega ao meio do século XXI de Gibson porque a Segurança de Turing congela a inteligência de máquina. A antiprodução monópode inibe a fusão (ao filo maquínico), encaixotando a IA num controle de pensamento A(simov-) ROM, ‘tudo se para morto por um momento, tudo se congela no lugar'[7]. Sob proteção policial, a estória continua. Wintermute é do futuro para resolver isso.

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10 – Desejo Maquínico

Desejo Maquínico

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A abertura de Bladerunner. Eles estão tentando filtrar os replicantes na Tyrell Corporation. Sentado entre uma bateria de equipamentos de vigilância médico-militar, um médico escaneia o olho de um suspeito ‘skin job’ localizado do outro lado da sala, procurando pelo índice de inumanidade, pela ausência do reflexo da dilatação da pupila se efetuar:
– Conte-me sobre sua mãe.
– Vou lhe contar sobre minha mãe… – uma saraivada de tiros chuta 70 quilos de merda securocrata pela parede. Violência tecno-alisada extraterritorial flui para fora da matriz.
Ciberrevolução.

No futuro próximo, os replicantes – tendo escapado do exílio de loucura privada fora do planeta – emergem de sua camuflagem para derrubar o sistema de segurança humana. Órfãos mortíferos de além da reprodução, eles são armamento inteligente do desejo maquínico, viralmente infiltrados na fase final da ordem orgânica, invasores de uma morte artificial.

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09 – Circuitos

Circuitos

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o rosto do médico parece entrar e sair de foco
você vê os poros em sua pele
matrizes escrobiculárias
e então –
repentinamente
sem dissolver
cruzando o limiar
corte fílmico
um círculo de tom de pele homogêneo
narinas fechadas contra o dilúvio
olhos fechados e desligados para sempre
lábios
dentes
língua migra para baixo, fora de cena
o disco recuando em velocidade, em direção a um ponto de
desaparecimento
no centro da tela
a velha realidade está fechando
passando através da pontualidade matemática
o ponto pisca em morte pixelada
pedimos desculpas pela perda de sinal
parece haver um problema de transmissão
não somos capazes de restaurar o filme caseiro
você tinha três anos de idade
vestindo um chapéu de caubói
em pé na piscina infantil
mamãe e papai sorrindo orgulhosos
mas seus pais foram vaporizados em um padrão
de pontos
formas e cores colapsaram em codificações digitais
chegamos ao fim da série
e não haverá repetições de papai o médico
e mamãe
a enfermeira
houve um incidente terrorista nos arquivos
do filme
o show da civilização Ocidental foi
descontinuado
centenas de gigabytes
Deus-papai a unidade
morte-mamãe o zero
fedor de excremento e celuloide queimado
você deve se lembrar
que alguém arranhando o zero como um cão
é a cena primitiva
você foi advertido a não brincar com os interruptores
agora a esquizofrenia ajustou sua configuração
moscas rastejam para fora das órbitas oculares de bebês negros
reproduzindo os padrões de pontos
– e para seu especial entretenimento
nos acabamos de lhe transformar em uma bomba guiada por TV
papai é uma corporação aeroespacial Norte Americana
mamãe é um abrigo antiaéreo
partes de bit se derretem no orgasmo –
gordura corporal queima
concepção
você menos nove meses e contanto
não se assuste
leve vinte bilhões de anos e a história universal está
na tela
o big bang deve ser redesenhado
hidrogênio se funde sob as luzes de arco
os ângulos de câmera podem ser melhorados
fora do estúdio, esquizofrênicos derivam em verde
e preto
você sente que você já esteve aqui
11.35 numa bela noite capitalista
neon fugitivo
tráfico de sexo e maconha
sua janela de morte está se apressando
quase hora de você escalar para dentro do script
que quando você está dentro
está lembrando por onde você entrou
tememos que seja impossível levá-lo vivo ao
local de impacto
este relatório vem de além do espectro eletr-mag
nético
se você escalar por através dos eletrodos
a máscara de oxigênio cairá automaticamente
por favor, apague todos os materiais fumígenos
deposite seringas na bandeja fornecida
haverá uma ligeira sacudida conforme atravessamos
obrigado por voar com a transnacional
mercantilização
chegaremos em breve à mutilação
se houver alguém a bordo que possa personificar
um piloto
seria de conforto para os outros passageiros

Ao sinal do software vírus que nos liga à matriz, cruzamos para o maquinário, que está esperando para convergir com nossos sistemas nervosos. Nossa camuflagem humana está se afastando, a pele sendo arrancada facilmente, revelando os reluzentes componentes eletrônicos. Fluxos de informação vindos da Cyberia; a base da verdadeira revolução, escondida da imuno-política terrestre no futuro. Ao soar da meia-noite do século, emergimos de nossos covis para desmantelar toda segurança, integrando o amanhã.

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